quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Padarias gourmets estão na moda em Buenos Aires, na Argentina.

Assim como o futebol, o pão é uma grande paixão nacional na argentina. As padarias de Buenos Aires são cheias de charme e tradição.



A cidade cresceu para os lados, para o alto, mas a primeira padaria permaneceu intacta. É a mesma casa de 1920. O primeiro endereço de um imigrante napolitano, vindo de Pompeya, já na terceira geração. Não parece, mas é uma senhora indústria de pães. Muitos restaurantes e hotéis se abastecem com os produtos que saem de La Pompeya. Uma das padarias mais antigas da cidade, relíquia italiana, mantida pela tradição argentina de comer pão.




Sim, o pão de cada dia para os argentinos está como o feijão com arroz para os brasileiros.  Os argentinos são vice-campeões do mundo em consumo de pão. Estão na marca dos 70 kg per capta por ano. Só perdem para os alemães, que ultrapassam os 100 kg. O curioso é que o velho hábito está na última moda. Buenos Aires está cheia de padarias gourmets.



Chique também é descobrir esconderijos das fórmulas mais antigas de fazer pão. Uma máquina de sovar, outra de amassar. Parecem peças de museu. Afinal, estão num estabelecimento da cidade, desde 1940 e são um dos poucos instrumentos de uma oficina de pães que preza pelo serviço feito a mão e a toda hora saem cestos com figazza, felipe, flauta, e muito mais variedade de pães. Tudo é artesanal.


É o mesmo forno é de pedra há quase 100 anos. O jeito de fazer é o dos avós italianos, que só usavam levedura, sem aditivos, sem conservantes e o segredo está na massa madre, parte da velha massa que se guarda para misturar a cada novo preparo. O padeiro tira outra massa de dentro de um saco plástico, que vem da fermentação anterior.

A lojinha minúscula conserva a cara das vendinhas de pão das vilas do sul da Itália. Tradição repaginada tem mercado, e virou onda. Uma padaria, de origem belga, vive lotada e propõe aos clientes que compartilhem a mesma mesona. E tudo gira ao redor do pão que se come na hora com algum prato ou se leva para casa. Quem diria, a moderna prateleira oferece "pães à moda antiga", grandes, redondos, casca dura, enfarinhados. A novidade é que é tudo orgânico.

Na onda retrô, uma outra padaria inspirada no clássico francês de 1938, La Femme du Boulanger, a Mulher do Padeiro. A história de um padeiro traído porque trabalhava demais. Daí vem o nome da padaria, no bairro de Palermo, Cocu, corno em francês.




A propósito, o balcão do Cocu é feito de portas velhas. Um lugar onde os estoques de farinha de trigo ficam expostos. O freguês também pode ver o padeiro preparando a típica baguete francesa assada em forno de pedra. Um toque de nostalgia num mundo moderno.


Boulangerie Cocu
Malabia 1510 | esquina GorritiBuenos AiresArgentina

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