terça-feira, 4 de outubro de 2011

Medianeras: Buenos Aires da época do amor digital.

Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala) vivem na mesma rua, em edifícios opostos, mas eles nunca se conheceram. Eles andam pelos mesmos lugares mas nunca notaram um ao outro. Quais são as chances deles se conhecerem em uma cidade de três milhões de habitantes? O que os separa, irá uni-los.

“Medianeras” é mais um exemplo do bom cinema argentino. Indo na contramão da maioria dos romances realizados (até mesmo em nosso cinema atual), onde a trama evolui de forma previsível à volta de um casal apaixonado, a obra de Gustavo Taretto (seu primeiro longa-metragem) estabelece seus personagens e encaminha-os para seu primeiro encontro. Ficamos conhecendo e nos importando com estas duas almas destinadas a ficarem juntas, porém que ainda não se conhecem. Taretto faz com Buenos Aires o que Woody Allen fez com Manhattan (em sua obra homônima), inclusive homenageando-o em algumas cenas, como quando Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar Lopez), em seus respectivos apartamentos, se emocionam ao assistirem a mesma cena de um filme (“Manhattan”) que passa na televisão. 

O ótimo roteiro (do próprio Taretto) evita qualquer “caminho fácil”, fugindo dos clichês com elegância. Buscando uma analogia interessante entre a evolução da internet e a involução das relações humanas, a trama consegue legar alguns questionamentos importantes após o fim (o que em uma obra “romântica” é dizer muito!). 

O filme não é perfeito, em sua metade final a pouca experiência do diretor se faz notada, com uma pequena queda de ritmo. Porém a atuação do casal e a ousadia do diretor fazem com que “Medianeras” seja um “oásis” perdido no meio de um “deserto” de marasmo no gênero. 

Se você está só, assista a este belo filme e veja que o grande amor de sua vida pode estar ao seu lado, sem você perceber! 





(via http://cinema.virgula.uol.com.br)

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